Segundo o pastor, a dinâmica simbolizava o guarda-chuva espiritual que Deus estenda sobre cada mulher presente no culto
Os cultos marcados por manifestações proféticas e símbolos visuais — há tempos mais comuns entre igrejas neopentecostais, também estão ganhando espaço em plataformas tradicionalmente pentecostais.
Um exemplo recente chamou atenção nas redes sociais: a Igreja Assembleia de Deus de Coronel Fabriciano, em Minas Gerais, realizou um culto especial no qual mulheres entraram no templo com sombrinhas abertas, em ação simbólica conduzida pelo pastor da congregação como expressão de “cobertura e proteção de Deus” sobre as famílias.
Segundo o pastor, a dinâmica simbolizava o guarda-chuva espiritual que Deus estenda sobre cada mulher presente no culto. O vídeo do momento se espalhou rapidamente, registrando milhares de visualizações e provocando opiniões divididas: enquanto alguns louvaram a criatividade e o simbolismo, outros consideraram a prática incomum para cultos pentecostais. O templo ficou completamente lotado e as sombrinhas coloridas preencheram a nave e a galeria da igreja.
Embora não haja um levantamento sistemático, outras denominações pentecostais têm adotado gestos semelhantes. Há registros, por exemplo, de cultos em que os fiéis são convidados a se ajoelhar sobre grãos de milho ou tachinhas, como forma de “purificação” ou “arrependimento visível”.
Em outro caso, uma pastora famosa quebrou ovos em sua cabeça durante um momento de sua ministração que falava sobre vencer as humilhações.
Esse tipo de manifestação simbólica gera reflexões importantes. Por um lado, demonstra o desejo de tornar visível o invisível — o agir de Deus, a cobertura espiritual — e de envolver a comunidade em rituais de pertencimento e identidade. Por outro, levanta questões sobre o limite entre liturgia simbólica e espetáculo, bem como sobre a compreensão da fé e da adoração no Brasil contemporâneo.
Para muitos teólogos, a adoção desses atos em templos mais históricos pode indicar uma convergência entre o carisma das igrejas neopentecostais e a tradição pentecostal clássica. Aprofundar-se no estudo desse fenômeno ajuda a mapear como as expressões de fé evoluem e se adaptam ao público, à mídia e ao tempo presente.
Fonte: Fuxico Gospel Foto: Reprodução Instagram










