Gestante de risco dá à luz em ambulância sem equipe entre Itaberaí e Goiânia

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Camile Melo

Hospital de Itaberaí despachou paciente sem acompanhamento especializado. “Disseram que estavam todos ocupados”, diz irmã

Uma gestante com 31 semanas de uma gravidez de risco deu à luz dentro de uma ambulância durante uma transferência sem equipe de saúde entre Itaberaí e Goiânia, na última sexta-feira (20). De acordo com a irmã da parturiente, Ghabryela Dourado, 27 anos, o Hospital Municipal Regional de Itaberaí autorizou o encaminhamento sem enfermeiros ‘porque todos estavam ocupados’. O parto do pequeno João Pedro teve que ser realizado pela própria tia durante o trajeto, na GO-070. O recém-nascido só recebeu suporte técnico ao chegar na UPA de Inhumas, de onde seguiu sob cuidados de uma equipe médica para a UTI neonatal na capital.

O caso teve início por volta das 10h40, quando a gestante deu entrada na unidade de Itaberaí com perda de líquido amniótico. Após exames constatarem o rompimento da bolsa, a transferência para o Hospital e Maternidade Dona Iris (HMU), em Goiânia, foi autorizada em caráter de urgência. Ghabryela, no entanto, disse que a família ficou surpresa ao saber que não teriam acompanhamento especializado. “Solicitamos um profissional para a transferência, pois era uma gestação de risco. Fomos informadas de que não havia ninguém disponível, pois todos estavam ocupados”, relata. Sem alternativa, a viagem seguiu apenas com as duas irmãs e o motorista.

Parto improvisado

No caminho, a situação clínica da gestante se agravou e o trabalho de parto começou dentro da ambulância em movimento. Sem qualquer auxílio técnico ou presença de profissionais, Ghabryela precisou agir sozinha para retirar o bebê e garantir que ele sobrevivesse até o próximo ponto de apoio. Foi desesperador, eu não sabia o que fazer, nunca nem tinha visto um parto”, revelou Ghabryela

Socorro adequado só veio na UPA de Inhumas, onde o bebê finalmente recebeu oxigênio (Foto: cedida ao Mais Goiás)

Após o nascimento, o recém-nascido apresentou dificuldade para respirar. “O desespero durou até a chegada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Inhumas, onde o João Pedro finalmente recebeu oxigênio e os primeiros cuidados adequados”, ressaltou a tia. Somente a partir desse ponto, um enfermeiro da unidade assumiu o suporte e acompanhou o restante do trajeto até Goiânia, garantindo a estabilização necessária até a chegada na UTI neonatal, onde o pequeno permanece internado.

O Mais Goiás entrou em contato com o Hospital Municipal Regional de Itaberaí e com a Secretaria de Saúde do município para solicitar um posicionamento sobre a ausência de equipe técnica na ambulância e os critérios utilizados para a transferência de gestantes de alto risco.

Até o fechamento desta matéria, não houve retorno oficial. O espaço segue aberto para que a unidade hospitalar e as autoridades de saúde possam apresentar seus esclarecimentos sobre o ocorrido.

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