Um forte aparato com cerca de 70 mil policiais e militares foi enviado às ruas da França neste sábado (31/10) diante da expectativa de aproximadamente 150 manifestações espalhadas pelo território nacional. Os protestos reúnem estudantes, sindicatos e ativistas que denunciam a alta do custo de vida, a deterioração do sistema educacional e as desigualdades sociais.
Mudança estratégica de rotas em Paris
O receio de que episódios de violência voltem a acontecer fez com que a mais alta instância administrativa do país, o Conselho de Estado, interviesse no trajeto da principal passeata convocada para a capital. Em uma decisão emitida de madrugada, a entidade reconheceu um “risco muito elevado de novos distúrbios graves à ordem pública” e atendeu a um pedido do governo para desviar a passeata.
Dessa forma, o percurso tradicional que ligaria a Praça da Bastilha à Praça da Nação foi transferido para a periferia parisiense, entre a Porta de Bagnolet e a Porta de Charenton. A medida reverteu uma autorização anterior emitida pela primeira instância judicial local.
Apreensões e alerta para o Halloween
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, também classificou como “muito elevado” o perigo de turbulências. Em resposta, as forças policiais iniciaram ações preventivas ainda na noite de sexta-feira (30/10) em rodovias, estações de trem e vias urbanas. As blitze resultaram no recolhimento de materiais suspeitos, incluindo 175 artefatos pirotécnicos confiscados na cidade de Mulhouse.
A data coincide com as celebrações de Halloween, o que acendeu outro sinal de alerta no Executivo. Há a preocupação de que indivíduos mal-intencionados utilizem fantasias para ocultar a identidade ou portar armas cenográficas que possam servir em tumultos. Pela legislação francesa, cobrir o rosto durante protestos sob risco iminente de desordem é uma prática proibida.
Conforme apontou Nuñez, convocações em redes sociais incitavam mobilizações noturnas com o emprego de termos como “revolução” e “noite de escuridão”, ampliando o receio de embates orquestrados.
Histórico de tensão e precaução no comércio
O alerta máximo decorre do rastro deixado por manifestações anteriores. Em 17 de outubro, atos pelo país culminaram em choques diretos com a tropa de choque, queima de prédios públicos e saques. Embora as passeatas da semana seguinte tenham reunido 410 mil pessoas — sendo 110 mil em Paris — com índices bem menores de tumulto, lojistas de diversos municípios preferiram cobrir vitrines com tapumes de madeira para proteger seus estabelecimentos.
Além da insatisfação socioeconômica, os grupos mobilizados passaram a direcionar críticas à atuação policial recente, protestando também contra supostas violações ao direito de manifestação pacífica no país.










