O governo da Bolívia oficializou a decretação de estado de emergência em âmbito nacional para viabilizar o repasse rápido de verbas e estruturar ações de resposta aos eventos climáticos extremos. A medida, anunciada pelo presidente Rodrigo Paz, visa mitigar os estragos provocados pelas oscilações severas de estiagem e enxurradas associadas ao fenômeno El Niño.
De acordo com o chefe de Estado, a iniciativa busca integrar diferentes frentes de atuação para amortecer o impacto socioeconômico nas comunidades mais vulneráveis. “Tomamos uma decisão com a cooperação internacional e com os esforços nacionais para somar os recursos econômicos e humanos para tratar este fenômeno”, explicou.
Impactos severos no território boliviano
O avanço do tempo seco já castiga duramente o interior do país andino. Dados divulgados em relatório oficial apontam que a estiagem alcança 78 mil famílias distribuídas por seis dos nove departamentos bolivianos. Além do desabastecimento, a crise no campo culminou na morte de mais de 75 mil cabeças de gado, gerando prejuízos expressivos para o setor agropecuário.
Em pronunciamento veiculado na rede social X, Paz enfatizou a necessidade de articulação imediata entre as esferas municipais e regionais para enfrentar tanto o cenário atual quanto as cheias previstas para os próximos meses.
“Vamos dedicar o nosso maior esforço para que esta seca, que já está afetando várias regiões do país, e as inundações posteriores tenham o menor impacto possível. Por isso, estamos usando nossos melhores homens e mulheres de cada instituição para dar a vocês uma solução rápida e pronta, e pedir a Deus que nos inspire em todas as ações que forem tomadas para nos defender deste momento tão complicado, que é esta mudança climática que agora vem com um ataque muito duro do fenômeno El Niño”, afirmou Paz.
Alerta internacional e dinâmica do fenômeno
A preocupação das autoridades locais coincide com advertências emitidas pela Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo a entidade, o evento meteorológico pode alcançar patamares históricos de intensidade, com potencial destrutivo elevado em diversas partes do globo, incluindo a América Latina, porções do leste e sul da África, o continente asiático e a bacia do Pacífico.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal e contínuo das águas superficiais na faixa equatorial do Oceano Pacífico. Essa elevação de temperatura modifica diretamente os padrões de circulação dos ventos e da umidade na atmosfera, desregulando o regime de chuvas e as temperaturas médias em escala planetária.











