Eleições nos Estados Unidos colocam governo Trump à prova nas urnas

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Trump pode ser derrotado hoje em novo baque para a extrema-direita mundial

Opositores do governo republicano chegam ao pleito legislativo com vantagem nas pesquisas de intenção de voto e a possibilidade de impor novos limites à administração federal.

Cenário das pesquisas e voto antecipado Uma sondagem realizada na véspera da votação apontou que 46% dos eleitores registrados pretendiam votar em candidatos democratas ao Congresso, contra 38% favoráveis aos republicanos. A vantagem de oito pontos percentuais reforça as expectativas de que a oposição possa retomar o controle da Câmara dos Representantes, embora a disputa pelo Senado permaneça mais acirrada.

A mobilização popular também bateu recordes. Dados do Election Lab da Universidade da Flórida indicam que cerca de 57 milhões de americanos já haviam votado de forma antecipada até a tarde de segunda-feira, superando amplamente os 45 milhões de registros observados em todo o ciclo eleitoral de meio de mandato de 2022.

Impacto legislativo e investigações Uma eventual vitória democrata em qualquer uma das casas legislativas dificultaria a tramitação de propostas do governo e abriria caminho para investigações parlamentares. Caso conquistem o Senado, os democratas também passariam a ter condições de bloquear indicações presidenciais para o Judiciário federal, incluindo eventuais nomeações para a Suprema Corte.

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Polarização e disputas estaduais marcantes No Michigan, a corrida pelo Senado expõe a forte polarização política do país. O médico e ex-integrante da administração de saúde pública Abdul El-Sayed tenta fazer história como o primeiro muçulmano eleito senador nos Estados Unidos. Filho de imigrantes egípcios, ele foi alvo de ataques de Donald Trump e de outros republicanos, que questionaram sua lealdade ao país e o acusaram, sem apresentar provas, de simpatizar com organizações terroristas.

O candidato classificou os questionamentos sobre sua lealdade como “vergonhosos” e procurou apresentar sua candidatura como uma alternativa à polarização política.

“Acredito que temos a oportunidade de superar essas divisões — de geografia, raça, orientação sexual, identidade de gênero e fé — para construir juntos aquilo que só podemos ter juntos”, declarou durante um evento de campanha.

Do outro lado, o republicano Mike Rogers afirmou à Fox News que seu adversário seria “simplesmente extremista demais”. Em um comício, declarou que a disputa não envolve a religião dos candidatos, mas suas ideias e orientações políticas. A campanha democrata ganhou fôlego financeiro na reta final, arrecadando US$ 2,4 milhões apenas no domingo, sobretudo através de pequenas doações.

Batalhas judiciais sobre regras eleitorais Na Califórnia, a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou uma tentativa do governo de barrar temporariamente a contagem de cédulas enviadas pelo correio por mais de 20 mil eleitores registrados. A administração federal argumentava que essas pessoas poderiam não possuir cidadania americana, enquanto autoridades estaduais alertavam para o risco de privação de voto baseada em suspeitas imprecisas.

No Alasca, o pleito para o Senado também foi marcado por contestações judiciais. Um juiz federal rejeitou uma ação do Departamento de Justiça que pretendia impedir a certificação dos resultados caso o senador republicano Dan S. Sullivan fosse derrotado por margem estreita. A polêmica envolveu a presença de outro candidato com nome semelhante na cédula, levantando suspeitas de tentativa de divisão de votos investigada pelo governo.

Reação da Casa Branca e mobilização Enfrentando o risco de perder maioria no Legislativo, o presidente intensificou os apelos pelo comparecimento dos eleitores republicanos, pedindo em entrevista por telefone à Fox News que seus apoiadores votassem como se ele próprio estivesse disputando a eleição.

“Temos que votar. Se o nosso pessoal votar, venceremos por uma margem esmagadora”, afirmou.

Apesar da intensa agenda de comícios em 20 estados nas semanas anteriores, o último grande discurso de Trump antes do pleito foi dedicado a detalhes técnicos da reforma da piscina refletora do Lincoln Memorial, em Washington.

O resultado final do pleito desta terça-feira servirá como um termômetro definitivo para a popularidade da extrema-direita global e moldará os rumos políticos dos Estados Unidos até o final do atual mandato presidencial.

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