EUA vai às urnas para eleição legislativa que pode impactar futuro de Trump

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EUA vai às urnas para eleição legislativa que pode impactar futuro de Trump
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EUA vai às urnas para eleição legislativa que pode impactar futuro de Trump

Democratas tentam retomar o controle do Congresso em meio à queda de popularidade de Donald Trump e ao desgaste provocado pela guerra no Irã

Manuela de Moura
03/11/2026 04:30
Arte Metrópoles/Otávio Augusto

Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3/11) para escolher os novos integrantes do Congresso em uma eleição que pode impor os primeiros grandes obstáculos ao segundo mandato de Donald Trump.

O pleito, que definirá todos os novos integrantes da Câmara e de um terço do Senado, ocorre em um momento de desgaste da administração do republicano, marcado pela queda na aprovação presidencial, pelo prolongamento da guerra contra o Irã e pelo aumento do custo de vida.

Com a maioria republicana ameaçada nas duas Casas legislativas, os democratas veem uma oportunidade de recuperar espaço em Washington e limitar a capacidade de atuação do presidente nos próximos dois anos.

Nessa segunda-feira (2/11), véspera das midterms, conhecidas como eleições de meio de mandato, Trump já não teve uma boa resposta sobre a avaliação do governo em novo levantamento da pesquisa Reuters/Ipsos. A aprovação segue em 32%, mesmo índice registrado no levantamento anterior e próximo da mínima de 31%, alcançada em 19 de outubro.

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Os números revelaram, ainda, um cenário desfavorável ao Partido Republicano. Dentre os entrevistados, 46% disseram preferir candidatos democratas para o Congresso, contra 38% que optaram por republicanos. Além disso, entre os eleitores independentes, metade afirmou que pretende votar contra Trump nas eleições. O levantamento ouviu 1.765 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

A expectativa é de disputa acirrada, principalmente, pelas cadeiras vagas no Senado. Em relação à Câmara, os democratas aparecem em posição favorável para recuperar a maioria. Projeções eleitorais apontam que o partido tem mais de 90% de chance de conquistar a maioria. No Senado, as estimativas também indicam vantagem democrata, embora a disputa seja mais apertada.

Formação atual do Senado e da Câmara dos EUA:


O que está em jogo?

  • As eleições de meio de mandato ocorrem a cada dois anos, no intervalo entre as disputas presidenciais, e funcionam como uma avaliação do governo em exercício.
  • Diferentemente das eleições presidenciais, não há um candidato à Casa Branca na cédula.
  • Ainda assim, o resultado costuma refletir a satisfação dos eleitores com os rumos do país.
  • Serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.
  • Os mandatos dos deputados duram dois anos, enquanto os senadores cumprem períodos de seis anos.
  • Atualmente, os republicanos ocupam 218 cadeiras na Câmara, contra 214 dos democratas.
  • Para recuperar o controle da Casa, a oposição precisa conquistar quatro assentos a mais.
  • No Senado, os republicanos têm 53 das 100 vagas, enquanto democratas e independentes alinhados ao partido somam 47.
  • Para assumir a maioria, os democratas precisam chegar a 51 cadeiras.
  • A importância do resultado está nas atribuições do Congresso, responsável pela elaboração e aprovação de leis federais, além da fiscalização do Poder Executivo.
  • Uma mudança na composição parlamentar pode dificultar a aprovação de projetos prioritários da Casa Branca e alterar o equilíbrio de forças em Washington.

Economia e guerra no Irã pesam na disputa

A economia é uma das principais preocupações dos eleitores, diante da alta nos preços de combustíveis, alimentos, saúde e moradia. O prolongamento da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã também pressiona o custo de vida e gera críticas à política externa de Trump.

Os democratas ainda atribuem às tarifas comerciais o encarecimento de produtos, enquanto os republicanos destacam o endurecimento das políticas migratórias como uma conquista do governo.

A regulamentação da inteligência artificial também ganhou espaço no debate eleitoral.

Trump faz último apelo por votos republicanos

Na véspera da votação, Trump intensificou a mobilização de eleitores para tentar preservar a maioria republicana no Congresso. Em discurso de aproximadamente 50 minutos no espelho d’água do Lincoln Memorial em Washington, nessa segunda, o presidente classificou o pleito como o mais importante de suas vidas e voltou a atacar os democratas.

“O Partido Democrata indicou a lista de candidatos mais extremista e perigosa da história americana“, declarou.

O republicano também acusou os adversários de defenderem fronteiras abertas, aumento de impostos, restrições ao porte de armas e políticas que, segundo ele, elevariam os custos de energia e ampliariam a imigração.

Ao defender seu governo, Trump afirmou que os Estados Unidos vivem uma “era de ouro” e destacou o desempenho econômico de sua administração. O presidente também pediu que os apoiadores tratem a votação como se ele próprio estivesse na disputa.

O discurso presidencial ocorre em meio à insatisfação de parte do eleitorado com o custo de vida. Até mesmo estrategistas republicanos demonstraram preocupação com o fato de Trump dedicar espaço a projetos de reforma e construção de monumentos e estruturas em Washington, enquanto os americanos enfrentam dificuldades econômicas.

O que uma derrota pode significar para Trump?

Uma eventual vitória democrata em pelo menos uma das Casas do Congresso representaria uma mudança importante na relação entre o Legislativo e a Casa Branca.

Com o controle da Câmara, a oposição passaria a comandar as comissões parlamentares e teria instrumentos para convocar integrantes do governo, solicitar documentos e abrir investigações sobre a administração republicana.

O governo também poderia enfrentar questionamentos sobre contratos, conflitos de interesse e medidas adotadas por meio de decretos presidenciais.

A possibilidade de um novo processo de impeachment também pode ganhar força entre os democratas. A Câmara dos Representantes tem competência para apresentar acusações contra o presidente, enquanto cabe ao Senado conduzir o julgamento político. Uma eventual condenação, contudo, exige o apoio de dois terços dos senadores.

No Senado, a mudança de maioria permitiria à oposição dificultar a confirmação de indicações presidenciais para cargos de alto escalão, embaixadas e tribunais federais, incluindo eventuais vagas na Suprema Corte.

Trump ainda poderia recorrer a ordens executivas para implementar parte de sua agenda, mas enfrentaria maior resistência institucional e dificuldades para transformar suas propostas em leis.

O resultado também deve influenciar as articulações para a eleição presidencial de 2028, da qual Trump não poderá participar por já ter exercido dois mandatos.

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