A deputada estadunidense Sydney Kamlager-Dove, filiada ao Partido Democrata, rotulou o senador brasileiro Flávio Bolsonaro como “negacionista eleitoral” ao cobrar esclarecimentos da gestão do presidente Donald Trump sobre o eventual suporte de autoridades dos Estados Unidos na fuga do parlamentar. O posicionamento da congressista veio a público na última sexta-feira (30).
Pressão política em Washington
O questionamento ocorreu em meio ao envio de um documento oficial ao Departamento de Estado norte-americano, assinado por 25 parlamentares liderados pela própria democrata. O grupo exige respostas detalhadas a respeito da interferência e do acolhimento oferecido pelo governo Trump ao filho de Jair Bolsonaro.
Na mesma data, manifestando-se por meio de uma postagem na rede social X, a legisladora declarou: “O povo americano merece respostas sobre por que a administração Trump está abrigando um negacionista eleitoral e fraudador”.
Bastidores da fuga para os Estados Unidos
A polêmica ganhou ainda mais repercussão após revelações do jornal The New York Times apontarem que Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, viabilizou a aeronave utilizada por Flávio Bolsonaro e seus familiares para ingressar em território norte-americano. A informação foi posteriormente corroborada pelo próprio oficial da Casa Branca.
A trajetória de saída do Brasil teve início na última terça-feira (27), quando o senador cruzou a fronteira em direção à Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, situada em Foz do Iguaçu, no Paraná. Na Argentina, ele embarcou em um jato particular que realizou escala em Guayaquil, no Equador, antes de aterrissar em Miami na manhã de quarta-feira (28). A esposa do parlamentar, Fernanda, e as duas filhas do casal, Luiza e Carolina, obtiveram vistos de entrada ao chegarem no país norte-americano.
Investigações e contestações eleitorais
Pouco após a chegada aos Estados Unidos, o político divulgou uma carta de tom golpista questionando o pleito presidencial brasileiro deste ano, no qual foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva por uma margem superior a 4 milhões de votos. No documento inicial, ele se autointitulou “o verdadeiro presidente eleito”, trecho posteriormente modificado para “líder do Brasil”. O posicionamento contrariou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), governos internacionais e antigos aliados que chancelaram o resultado das urnas.
A saída do país ocorreu logo após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenar o bloqueio de seus passaportes e proibir sua saída do território nacional. A ordem judicial atendeu a uma solicitação da Polícia Federal (PF), que identificou riscos iminentes de evasão. No Brasil, o ex-candidato presidencial é investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.











