Invisíveis no Coração da Amazônia: A Cidade Onde 93% da População Depende do Bolsa Família

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Léo Bueno

MACAPÁ/ITAUBAL — No extremo norte do Brasil, a cerca de 100 km da capital amapaense, o pequeno município de Itaubal protagoniza um dos cenários mais emblemáticos da economia brasileira em 2026. Com uma população estimada em pouco mais de 5 mil habitantes, a cidade detém um recorde desconfortável: aproximadamente 93% de seus moradores dependem diretamente do repasse do Bolsa Família para subsistir.

Uma Economia de Subsistência Digital

Em Itaubal, o dia do pagamento do benefício é o verdadeiro “motor” do comércio local. Sem indústrias de grande porte e com uma agricultura familiar que ainda luta contra gargalos logísticos, o dinheiro que entra via transferência de renda federal é o que mantém as portas de mercadinhos e farmácias abertas.

A renda per capita da cidade é comparável à de países com baixo índice de desenvolvimento humano na África subsaariana. Para muitos especialistas, Itaubal é o exemplo máximo do “vazio econômico” que ocorre quando a rede de proteção social, desenhada para ser temporária, acaba se tornando a única fonte de receita permanente de uma região inteira.

O Desafio da Emancipação

O cenário em Itaubal levanta um debate urgente para este ano eleitoral: como transformar estados e municípios “dependentes” em polos produtivos? Embora o Bolsa Família garanta a segurança alimentar básica, a falta de infraestrutura e conectividade impede que a juventude local encontre caminhos fora do cadastro de assistência social.


Além de Itaubal: O Mapa da Dependência no Brasil

Embora Itaubal lidere o ranking proporcional, outras cidades brasileiras apresentam números que desafiam a gestão pública e mostram que o fenômeno não é isolado. Confira outros municípios com altos índices de beneficiários:

  • Serrano do Maranhão (MA): Um caso curioso onde o número de famílias beneficiadas já chegou a superar o número de domicílios registrados, com uma dependência que oscila perto dos 85% a 90% da população.
  • Maetinga (BA): Conhecida por ter mais de 73% de seus moradores dependentes do programa.
  • Japurá (AM): No coração da floresta, a isolação geográfica empurra cerca de 66% da população para o auxílio federal.
  • Melgaço (PA): Frequentemente citada por ter um dos menores IDHs do país, possui cerca de 60% de dependência direta.

E em Goiás? O Retrato da Dependência no Coração do Brasil

Embora Goiás seja um estado com uma economia agrícola robusta, a desigualdade regional ainda é acentuada. Em fevereiro de 2026, os dados mostram que a dependência do Bolsa Família se concentra fortemente no Nordeste Goiano, conhecido como o “vão do paranã”, onde os índices de desenvolvimento são historicamente menores que os do Sul e do Sudoeste do estado.

Cidades com Maiores Índices em Goiás:

  1. Cavalcante: Historicamente, é um dos municípios com maior dependência, onde cerca de 45% a 50% da população está vinculada a programas de transferência de renda, refletindo os desafios logísticos e de emprego na região das comunidades quilombolas.
  2. Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás: Também apresentam taxas elevadas (na casa dos 40%), evidenciando o isolamento econômico de algumas áreas do Norte/Nordeste goiano.

O Contexto de Itaberaí:

Aqui em Itaberaí, o cenário é diferente. Devido à força das agroindústrias e do comércio local, o índice de dependência é significativamente menor (estimado abaixo de 15%). No entanto, a prefeitura tem lançado mão de programas próprios, como o “Mais Alimento Itaberaí” em 2026, para atender famílias que estão em “filas de espera” ou em situação de vulnerabilidade temporária, mostrando que o auxílio local tem sido um braço importante do apoio federal.

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