A utilização da imagem de Iris Rezende na atual campanha eleitoral tem gerado intensos debates nos bastidores políticos de Goiás, devido à histórica atuação do falecido líder em defesa das instituições democráticas e sua oposição a correntes ideológicas semelhantes ao bolsonarismo contemporâneo. Diante dos questionamentos levados ao Judiciário, a Justiça Eleitoral limitou-se aos aspectos técnicos da representação, sem entrar no mérito do alinhamento ideológico histórico do ex-governador. O cenário levanta discussões entre analistas e eleitores sobre os limites partidários na associação de símbolos políticos que, em vida, mantiveram trajetórias divergentes das plataformas defendidas pelas atuais legendas.
Por outro lado, a consolidação da chapa do PL traz Ana Paula Rezende, filha do ex-governador, como candidata a vice-governadora, conferindo amparo legal e legitimidade política às decisões da coligação. No entanto, setores da opinião pública e da oposição argumentam que a escolha da herdeira política reflete uma estratégia estritamente eleitoral de composição de palanque, a qual não deve se confundir com uma revisão da biografia oficial e das posições históricas assumidas por Iris Rezende ao longo de suas décadas de vida pública.
“O legado de Iris pertence ao patrimônio político de Goiás, construído ao longo de décadas de vida pública e consolidado pela defesa das instituições democráticas, pela resistência ao autoritarismo e pela atuação em um campo político diametralmente oposto ao discurso que hoje caracteriza o bolsonarismo. A Justiça, provocada, não julgou esse mérito.
A pergunta que continua sem resposta, no entanto, é outra: até que ponto uma legenda pode reivindicar como símbolo um líder cuja trajetória foi edificada justamente em oposição aos valores que ela hoje representa? Para muitos goianos, a memória de Iris Rezende não precisa ser reinterpretada para servir a um palanque, sobretudo quando esse palanque representa uma visão de mundo amplamente percebida como distinta daquela que marcou sua trajetória pública.
A presença de Ana Paula Rezende como candidata a vice-governadora na chapa do PL confere legitimidade política às escolhas dela, mas não lhe transfere a prerrogativa de reescrever a história do pai.“





