Repercute nas redes sociais o espólio político de Iris Rezende

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Léo Bueno

jornalista

A repercussão é de forma negativa, pelo uso do nome de Iris Rezende da chapa encabeçada pelo senador Wilder Morais e tem Ana Paula Rezende, filha de Iris Rezende, como vice.

A utilização da imagem de Iris Rezende na atual campanha eleitoral tem gerado intensos debates nos bastidores políticos de Goiás, devido à histórica atuação do falecido líder em defesa das instituições democráticas e sua oposição a correntes ideológicas semelhantes ao bolsonarismo contemporâneo. Diante dos questionamentos levados ao Judiciário, a Justiça Eleitoral limitou-se aos aspectos técnicos da representação, sem entrar no mérito do alinhamento ideológico histórico do ex-governador. O cenário levanta discussões entre analistas e eleitores sobre os limites partidários na associação de símbolos políticos que, em vida, mantiveram trajetórias divergentes das plataformas defendidas pelas atuais legendas.

Por outro lado, a consolidação da chapa do PL traz Ana Paula Rezende, filha do ex-governador, como candidata a vice-governadora, conferindo amparo legal e legitimidade política às decisões da coligação. No entanto, setores da opinião pública e da oposição argumentam que a escolha da herdeira política reflete uma estratégia estritamente eleitoral de composição de palanque, a qual não deve se confundir com uma revisão da biografia oficial e das posições históricas assumidas por Iris Rezende ao longo de suas décadas de vida pública.

Uma publicação no Instagram tem tido grande repercussão ao abordar o assunto, veja na íntegra o que diz o texto na referida publicação:

O legado de Iris pertence ao patrimônio político de Goiás, construído ao longo de décadas de vida pública e consolidado pela defesa das instituições democráticas, pela resistência ao autoritarismo e pela atuação em um campo político diametralmente oposto ao discurso que hoje caracteriza o bolsonarismo. A Justiça, provocada, não julgou esse mérito.
A pergunta que continua sem resposta, no entanto, é outra: até que ponto uma legenda pode reivindicar como símbolo um líder cuja trajetória foi edificada justamente em oposição aos valores que ela hoje representa? Para muitos goianos, a memória de Iris Rezende não precisa ser reinterpretada para servir a um palanque, sobretudo quando esse palanque representa uma visão de mundo amplamente percebida como distinta daquela que marcou sua trajetória pública.
A presença de Ana Paula Rezende como candidata a vice-governadora na chapa do PL confere legitimidade política às escolhas dela, mas não lhe transfere a prerrogativa de reescrever a história do pai.

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